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Procuram-se engenheiros


Construtoras e incorporadoras lançam programas a fim de recrutar profissionais em todo o país. Há oportunidades nas áreas civil, mecânica e de produção. Salários subiram 40% nos últimos dois anos

Paula Takahashi e Geórgea Choucair

O mercado está para os engenheiros, que começam a fazer falta nos canteiros de obra. O boom vivido pelo segmento imobiliário, principalmente na baixa renda, está levando construtoras e incorporadoras a incluírem esses profissionais nos programas de trainee. A Gafisa e a Tenda lançaram ontem o programa Comece Bem, em que serão selecionados engenheiros das áreas civil e de produção para atuar em diversas regiões do país. A demanda por esses profissionais cresce não só no segmento da engenharia civil, mas também no de minas, mecânica, de produção e siderurgia.

A ampliação do mercado de trabalho se reflete no volume de interessados em ingressar na profissão. No primeiro semestre de 2008, a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) registrou 669 inscritos no vestibular de engenharia (civil, mecânica, elétrica, automação e produção). Neste ano, o número chegou a 2.124, incluindo os candidatos ao novo curso de engenharia civil, da regional do Barreiro.

O vice-diretor da escola de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (FMG), Rodney Rezende Saldanha, avalia que setores da economia que tiveram incentivos do governo têm demanda crescente por profissionais da área. “Com o aumento do volume de venda de automóveis, a demanda pela engenharia mecânica tem sido retomada. Existe também algum sinal de retomada nas áreas de minas e metalurgia com o anúncio de investimentos nas siderurgias.”

Esse movimento também é percebido pelo gerente de projetos e desenvolvimento do grupo de recrutamento Selpe, Robson Barbosa. “Hoje não existe escassez de engenheiros no mercado, mas há pouco tempo isso era realidade e pode ser que volte a ocorrer novamente, por isso, já estamos sendo procurados por empresas interessadas em abrir processos de seleção de estágio e de trainees para formação de novos talentos”, explica.

Experiência
A escassez de mão de obra é mais forte quando há exigência de profissionais com experiência. Para suprir essa demanda, empresários do setor ampliaram os investimentos em cursos de especialização. O Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot-MG) conclui este mês a primeira turma de qualificação de engenheiro civil para a construção pesada. Os estudantes são alunos dos últimos períodos de graduação e recém-formados.

O curso foi feito em parceira com a faculdade, o sindicato e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). “A formação dos engenheiros não aconteceu na mesma velocidade do crescimento das obras. O número de bons profissionais nessa área é escasso, pois muitos foram para outros setores no passado, por falta de mercado”, afirma Alberto Salum, presidente do Sicepot-MG.

O engenheiro civil José Guaraci D’Ávila Reis trabalha no ramo da construção civil há 30 anos. Ele tem uma empresa direcionada a obras para a baixa renda. Atualmente, tem uma vaga aberta para engenheiro, mas afirma que o profissional com boa formação é difícil de ser encontrado. “É um bom momento para o recém-formado e o engenheiro que busca emprego”, diz. Ele afirma que a remuneração de muitos profissionais cresceu 40% nos últimos dois anos.

Oportunidade

Gafisa e Tenda
» Inscrições: www.bpc.com.br
» Requisitos: formados, recém-formados ou cursando o último período em engenharia nas áreas civil e de produção. Ter mobilidade nacional. Inglês é diferencial
» Salário: estimado em R$ 3,5 mil

Vagas para estagiários

O vice-presidente de política, relação trabalhista e recursos humanos do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Ricardo Catão Ribeiro, afirma que o mercado da construção civil está mais aberto para engenheiros e estudantes de graduação. “No passado, até os estagiários de engenharia tinham dificuldade de achar vaga. Hoje, só fica desempregado quem quer”, diz.

Luis Testa, gerente de marketing da empresa de recrutamento Vagas Tecnologia, tem observado um retorno dos programas de trainee e estágio. “Esse era um segmento que estava parado e muitos processos seletivos estavam suspensos. Mas, este mês, notamos que grandes empresas, como a Souza Cruz e a Volkswagen, estão iniciando seus processos de seleção”, explica.

Recém-formada em engenharia civil, Renata Menezes Almeida aproveitou a oportunidade e garantiu seu primeiro emprego como trainee em uma empresa de consultoria de projetos. “Trabalhei como estagiária durante dois meses e tive a chance de ser contratada. Pessoalmente não percebi os efeitos da crise no mercado de trabalho”, conta. E acrescenta: “Das 55 pessoas que formaram comigo, tenho notícias de duas que estão desempregadas. Então, imagino que a grande maioria já esteja trabalhando”, explica. (PT e GC)
Fonte: Correio Braziliense
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